domingo, 19 de agosto de 2018

B

Dito isso: eu cansei.

Eu tentei resolver meus problemas comigo mesma antes de voltar e tentar viver as coisas da forma como eram/deveriam ser.

Mas no final das contas o que aconteceu foi que eu liquefiz meu cérebro e deixei ele escorrer pelos meus ouvidos.
Passei cada segundo acordada fingindo que nada disso tinha acontecido. Distraída. Longe de qualquer coisa que me lembrasse você.
Eu chorei. Eu me odiei. Mas eu nunca consegui me fazer odiar você.
Eu passei noites sem dormir e dias sem comer. O mundo parecia cinza. Minhas risadas pareciam irreais. As pessoas não eram concretas.
Eu comecei a esquecer coisas. Acho que isso é um mecanismo de defesa... contra a dor.
Mas acabou que eu esqueci momentos importantes com outras pessoas. Você, que eu tentei esquecer, continua vívida na minha memória. E é a única coisa.

Eu quis entender porquê. Depois eu só queria que você me enganasse, dissesse que tudo bem e tudo voltasse a ser como antes. Aí eu passei por uma fase de tentar. Hoje eu só não quero mais.

Eu não quero mais me sentir assim. Eu não quero estar apaixonada por você. Eu não quero ter esse ciúme. Eu não quero que a simples menção ao seu nome me faça mal. Mas, principalmente, eu não quero mais viver isso.

Eu quero voltar a lembrar. Eu quero voltar a ter um cérebro. Eu quero voltar a ser quem eu era.
Hoje eu sinto que joguei uma parte da minha vida fora: que perdi relacionamentos para manter o nosso, que, na verdade, os foras que eu dei não foram porque eu não estava pronta pra me apaixonar de novo, e sim porque eu já estava apaixonada por você. Não era porque eu estava confusa. Sinto que eu dediquei minha vida à você e isso foi em vão.
No futuro, quando isso não doer mais, talvez eu perceba o quanto isso é um exagero.
Mas eu quero que você sinta a dor que eu senti.

Eu resolvi viver a minha vida. Esquecer a sua. Esquecer quem te rodeia. Ser humana. Viver com pessoas, não com animes. Ser diferente. Pensar.
Por isso que eu não vou voltar.

A

Tudo isso de novo.
Olha onde eu vim parar. Olha onde eu cheguei. Olha onde você me trouxe.

Já disse antes e repito: Eu cansei de sentir essa dor.
Durante toda a minha vida, que não é tão grande assim mas é tudo o que eu conheço, eu sempre busquei me aproximar o máximo possível de quem quer que fosse, porque eu queria ter muitos amigos. O que significa contar sobre mim pra todo mundo.
Sempre forcei esse "laço" nas pessoas e esperava que elas correspondessem. Quando acontecia, eu ia apagando em mim as partes que não causavam nenhuma reação boa na outra pessoa e aumentando as partes que faziam ela rir. Até que chegasse o final de um ciclo e essa pessoa fosse embora. Só que eu demorei MUITO pra aprender a fazer isso. Até então, eu era eu e as pessoas tinham que gostar do ser errado que eu sou.

Eu lembro até hoje da voz dela falando "Não precisa ficar com vergonha, fala alguma coisa!". Embora eu tenha plena certeza que ela esqueceu.
Eu lembro perfeitamente da primeira vez que a vi. E das vezes seguintes, como eu fiacava cada vez mais nervosa...
Hoje isso faz sentido pra mim: eu tinha medo de o prazo ter chegado.
Meu corpo sabia antes de eu ter consciência do que tava acontecendo: eu tava apaixonada por ela. De uma forma muito ruim pra mim. Que acabaria comigo recolhendo meus pedaços enquanto ela vivia tranquilamente a própria vida. Afinal de contas, nessa altura, ela não lembrava de como nos conhecemos. Mas ainda era uma memória vívida pra mim, que eu conseguia... ainda consigo, fechar os olhos e ver o que aconteceu. Imaginar a cara e a reação dela.
Eu lembro de estar no quarto dela pela primeira vez e imaginar onde e como ela tinha tirado aquela foto de perfil de quando nos conhecemos.

O que me dá mais medo é ser esquecida, é não ter significado nada. O que me deixa mais triste é imaginar o porquê disso acontecer. O que me torna incapaz de expressar o que eu sinto é isso não ser importante pra você, é não fazer diferença, é vergonha, é medo.
Embora nada disso tenha importado quando eu precisei fazer isso. Das duas vezes.

A palavra paixão tem significados muito distintos pra nós duas. Pra mim ela unicamente se remete à um sentimento que só deve ser compartilhado entre duas pessoas, duas pessoas que sintam-se atraídas uma pela outra. Jamais um sentimento que deve ser colocado dentro de uma amizade. A paixão, pra mim, deveria significar apenas querer ficar do lado daquela pessoa especial, ninguém mais importa, ninguém mais consegue te fazer sentir daquele jeito.

Eu nunca deveria ter me deixado apaixonar por você.

Eu continuei mentindo pra mim, dizendo que não: eu não estava apaixonada por você. "Afinal de contas eu sou hetero." "Porque eu nunca senti vontade de te beijar." "Não sentia aquela ansiedade constante só em estar falando com você." "Não sentia a urgência em ser a garota ideal pra você." "Meu coração não esquentava quando eu falava com você." Porque essas eram coisas que eu vivenciava nas minhas paixões até o momento...
Mas eu nunca fui amiga dos caras que gostei. Nunca fui tão próxima de alguém por quem eu estivesse apaixonada...

Na verdade, eu acho que isso foi acontecendo sem eu nem me tocar. Justamente porque eu negava que isso fosse possível. E eu nunca percebi porque não tinha acontecido antes.
Eu sabia, em um certo ponto, que sentia ciúmes do seu namorado... ou melhor, do seu noivo.
E tentei me enganar, de novo, dizendo que era só porque ele tinha a oportunidade de estar com você pelo menos uma vez por semana, o que pra mim era só um sonho.
Dessa vez tudo não passou de uma tentativa mesmo. Era impossível interpretar de outra forma: eu queria ser a única. Queria que ninguém mais te fizesse rir igual à mim. Queria que ele não existisse. Cheguei a me sentir ressentida simplesmente pela presença dele. As vezes eu tinha que me forçar a rir e prestar atenção quando ele falava, e, me negava a falar com você quando ele estavisse perto.

Da primeira vez, eu entendi isso. Entendi que aquele ciúme não era saudável, que minha posição não era aquela, que meu lugar deveria ser outro. Mas você, talvez sem saber disso, provavelmente sem saber disso, reafirmou a minha posição. Você me colocou lado-a-lado com ele. Você disse que estava apaixonaxa por mim e mesmo que fosse sobre os seus critérios de paixão... aparentemente, significou outra coisa pra mim. Mas eu estava decidida a sentir de uma forma mais saudável. Eu abri mão do monopólio, mas quando eu vi, já tava tudo do mesmo jeito.
A praia, o choro, foram mais do que eu precisava: a confirmação de que você era de outra pessoa, sempre foi, e não me cabia aquela posição. Mas vocês continuaram me colocando nos segredos de vocês. E isso não deveria significar nada além de que eu era uma boa amiga. Ponto final. Fim de história. Acabou, Renata.
Infelizmente não acabou nada, Renata.


Eu não estava pronta pro que vinha. Eu nunca imaginava que viria. Eu não sabia que precisava. Mas você terminou comigo. E isso destruiu a minha vida.

Desculpa, mas eu tô cansada.
Eu não quero mais sentir isso.

Ao longo dos anos você foi meu pilar de sustentação. Todos eles. Eu não vivia um dia sem falar de você, eu me afastei de todo mundo pra ficar mais tempo com você, eu fui matando quem eu era pra ser quem você era. Eu cheguei ao ponto de tranformar minha personagem principal, aquela com mais história desenvolvida, em alguém entre nós duas. Você viu isso acontecer. E, de novo, eu tenho a memória vívida de dizer "A Anna é nossa filha!"... hoje, olhando pra trás, eu penso se isso não foi uma projeção inconsciente do meu desejo de ocupar a mesma posição que o seu noivo ocupa.

Isso é o suficiente pra você entender?

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2017

Sonho.

Era mais um dia normal na minha vida. Depois de uma conversa estranha com o pessoal do acampamento sobre feriados e festas locais assustadores, como sempre, meus amigos estavam parados na calçada, ponderando sobre quando ir à praia e como organizar a saída. É estranho um monte de caras organizar uma saída à praia? Muito. Mas, de novo, eu faço parte de um grupo estranho de pessoas... afinal, como seria possível iniciar uma conversa sobre feriados assustadores da sua cidade se o grupo de pessoas em si não fosse deveras estranho? O que aconteceu depois não traiu as expectativas.
Nosso acampamento anual acontecia na praia, dessa vez, em uma cidade que, incrivelmente, era grande e não ficava lotada de turistas. Da para entender completamente porque viemos para cá: dependendo de quão longe você for, o cenário pode mudar de crianças correndo atrás de uma bola para adolescentes bem vestidos entrando e saindo de lojas caras com muitas sacolas de compras. Mas também poderia andar alguns metros e ficar sozinho.
Quando se acostuma a ter gente por perto que... bom, não gosta de ficar perto, você acaba preferindo ficar sozinho também. E meus amigos gostavam de estar juntos, mas separados do resto do mundo.
Depois que minha opinião sobre quando ir à praia foi totalmente ignorada, mais uma vez (quem ouve o mais novo?), encontrei uma pessoa que adora brigar comigo e fui até ela. Se ele viu a minha aproximação? Sim. E começou a brigar? Também. Acho que ele não queria que eu fosse até lá; poderia ter um motivo, ou não. Mas eu costumo ignorar quando ele fala bragando comigo... deve ser por isso que ele briga. É muita insistência, cara. Percebe logo que eu não me importo!
- Volta pra lá! - eu consegui chegar perto o suficiente para entender qual era a reclamação dessa vez.
- Eu só quero ficar aqui observando. E fazendo companhia. - abri um sorriso confiante que implorava por uma afirmação. E não, ele ter me mandando embora não me magoou. Ele realmente fala as coisas para o meu bem e, as vezes, manda qualquer um embora quando está fazendo algo que ele considere importante por acreditar que as chances de dar tudo certo são maiores se ninguém estiver vendo. Crença popular, ao meu ver.
- Até parece. Vai embora, você vai me atrapalhar. - disse com cara de quem sabe mais. Ele estava com uma espécie de encerador na mão e corria um líquido pegajoso pelo chão. Estávamos parados na parte coberta de uma longa pista de pedra sabão azul, metade seca, metade coberta por uma gosma. O telhado era sustentado por pilastras grossas cobertas com a mesma pedra do chão, mais ou menos no meio da pista havia um lance de escadas que levava à um pequeno centro de compras que, naquele dia, estava lotado.
Enquanto eu pensava em qualquer resposta para o meu amigo com o esfregão, mais do mesmo líquido gosmento do chão começou a pingar do telhado, como se estivesse chovendo, e pessoas vestidas de preto começaram a surgir por todos os lados, espalhando a gosma pelo chão.
Observei perplexo enquanto mais sabão (parecia sabão, com textura e cheiro de sabão, tenho quase certeza de que era sabão) líquido era bombeado para a pista até que fui cercado por um menino um pouco mais alto que eu, vestindo sobretudo, tapa-olho e chapéu de capitão de pirata, e uma menina loira, com as mesmas roupas mas o cabelo preso ao invés do chapéu estilo Jack Sparrow depois da mamãe usar alvejante para lavar suas roupas.
Ambos tinham bolas (pareciam ser de vôlei) nas mãos, sorrisos diabólicos nos rostos e luvas de um material transparente cheias de mais sabão. Antes que pudesse entender o que estava acontecendo, fui acertado com a bola pelo menino pirata e coberto de sabão. Porque eu escorreguei com o susto de levar uma bolada do nada e cai no rio de sabão líquido transparente em que me encontrava.
Meu amigo riu e me mandou embora sem precisar dizer "você deveria ter ido embora quando eu disse", a expressão dele dizia isso e muito mais. Levantei e fui andando até a escada vagarosamente antes que ele realmente pudesse completar o "eu te avisei" com um "eu sabia que isso aconteceria".
Ao caminhar entre as pessoas, percebi que aquilo era um campeonato. Pode ter contribuído com a chegada à essa conclusão também o fato de a pessoa que me derrubou ter dito algo como:
- O fanfes tá logo aí! É só esperar o dia 15! - com um sorriso feliz enquanto eu me afastava.
Inconscientemente, fui até às escadas andando pelos cantos, tentando não ser percebido. Notei mais duas coisas: 1) as pessoas, no geral, dividiam-se em dois grandes grupos com pequenas facções; o grupo seco e o gosmento. É. Mais pessoas tinham uma parte da roupa (que deveria identificar as facções, já que pequenos grupos de pessoas vestiam-se de forma semelhante, buscando diferenciar-se de outros grupos) que era completamente cheia de sabão ou alguma coisa parecida, enquanto outros tinham a roupa completamente seca, impermeável, em algumas situações. 2) o jogo parecia consistir em um dos lados derrubar o outro. Tipo, seco vs molhado.

Acabou que, ao sair da arena (faz sentido ser), encharcado, apareci no meio do centro de compras e... foi pior do que lá em baixo. Todas as pessoas na eua estavam olhando para mim, sem esconder a surpresa. E o pior é que haviam mais pessoas tão molhadas quanto eu ali em cima e mesmo assim ninguém olhava para elas... era como se elas fosse invisíveis. Não. Mais como se estivessem misturadas ao cenário. Encostadas à um vidro preto ou atrás de uma arara de vestidos azul marinho com asas negras (sim, era uma arara real em uma das lojas).
Como eu tinha dignidade (e não me importava mesmo com os olhares, já que ia embora dali alguns dias), fui andando tranquilamente, com o cabelo colado ao rosto, as botas fazendo barulho e as roupas pingando. Foi a primeira vez que me senti tão importante, com as pessoas abrindo caminho para mim.
Só mais tarde, depois de tomar banho, percebi que estava de coturno, calça jeans e jaqueta da mesma cor. Para quem estava jogando, eu realmente parecia fazer parte da brincadeira.

quarta-feira, 27 de julho de 2016

Z

Eu tô bem revoltada.
Minha família é uma merda. Ponto final.
Meu pai é preconceituoso, infantil, arrogante. Acusa as pessoas antes de pensar se ele está certo ou errado. Aliás, pensa que está certo sempre, só ele sabe das coisas, todas as outras pessoas são burras. Sim, ele acha que eu sou infantil, boba, descompromissada. Quando eu faço alguma coisa inteligente, ele fica surpreso. De verdade. Daquelas de ficar de olhos arregalados e tudo. Não tô exagerando.
Minha mãe é muito mais preconceituosa que meu pai. Ela tem aqueles pensamentos de senhora rica de novela das seis da globo: meu filho só pode se relacionar com pessoas da mesma condição financeira dele; por exemplo. É super-protetora, tem seu favorito sim, faz as coisas pra deixar um feliz e os outros conformados. Nem um pouco justa.
Aliás, ninguém nessa casa é justo.
Ela sabe que eu sou a única pessoa que raciocina acima do egoísmo e entende a situação, usa isso pra se aproveitar. Usa mesmo.

A minha preguiça existe e graças a Deus que ela existe. Me salva de MUITA merda.

Minha irmã é o cúmulo do egoísmo. Tudo é dela. Não mecha, não empresto, nem olha que não é seu. Nesse nível. Esse lado do quarto é meu, não anda pra cá.
Sabe o que eu tenho? O que eu comprei. O resto é todo dela. Mesmo que minha mãe diga "é da casa", não é, é da minha irmã.
Quer ver uma coisa que parece mimimi? "Qualquer coisa que minha irmã quer, minha mãe compra. Mesmo que não tenha dinheiro. Mesmo que seja caro. E ela não espera. Ela quer hoje, ela tem hoje. Celular novo? 'Mãe, quebrei meu celular que você nem terminou de pagar ainda jogando no chão da escola porque tava puta com o inspetor de corredor, me dá esse aqui que é bem mais caro que o de antes?' 'Não tenho dinheiro.' 'Tem sim! Compra!' Ela comprou. 'Mãe, você nem terminou de pagar esse celular caro que você me deu há uns seis meses e era o que eu queria pra minha vida mas... não é mais, agora quero um iPhone de 4 mil reais, me dá?'... 'Mãe, eu quero uma chapinha, me dá?' 'Mãe, eu quero um violão. Não sei tocar e nem vou me esforçar em aprender. Ou melhor, nem vou procurar uma forma de aprender. Me dá um violão mesmo assim?' 'Pai, me dá uma bicicleta que eu não vou usar porque só sei sair por aí com minhas amigas e as saias que eu uso são curtas demais pra poder andar de bicicleta... Ela vai ficar dentro de casa mesmo, me dá?' 'Vou estudar nessa escola aqui, tá? Paga minha inscrição, a farda de mais de duzentos reais, um computador porque o curso é de informática e um notebook porque precisa levar pra escola. Me leva pra escola durante um ano. Vou reprovar porque não tenho o mínimo de foco na minha vida, só quero saber de brincar e faço as coisas de qualquer jeito.' 'Eu odeio todo mundo que faz tudo pra mim nessa casa, vou embora!'
Meus pais pagaram uma festa de aniversário de mais de mil reais pra ela em cima da hora, sem ter dinheiro pra isso. Ela disse que não queria nenhum parente na festa. Fez grosseria com eles no dia da festa. Resolveu que morar nessa casa não era muito bom pra ela no dia seguinte. Dobrou todas as roupas caríssimas que minha mãe compra pra ela, colocou numa mochila e foi embora de casa.
Eu passei quase duas semanas escutando meus pais conversarem só sobre ela com todo mundo com que eles se encontravam na viagem que ela deveria ter ido mas decidiu que era boa demais para.
Mesmo comigo a conversa era sobre ela. Tudo pra agradar ela. Tudo para fazer com que ela voltasse pra casa."

Aí fica até parecendo que eu só odeio ela.
Mas eu faço parte. Eu sou idiota como meus pais. Eu faço o que ela quer. Eu pago as coisas pra ela. Eu ajudo com tudo que ela pede. Eu faço as coisas que ela quer.
Ela se nega a pegar um copo de água pra mim. Eu já levei comida na cama pra ela.
Ela entrava no quarto acendendo a luz na minha cara e gritando no meu ouvido quando chegava de manhã das baladas dela. Eu sempre desligo meu despertador antes de incomodar ela, me visto no escuro ou fora do quarto antes de ir pra aula.

"Você não tá vendo o lado dela..." Ela vê meu lado? Ela tem essa obrigação? Não? Então eu também não preciso ter.
"Você é compreensiva. Vai se sair melhor na vida do que ela. Você se esforça pra fazer as coisas por si mesma. Ajuda ao invés de empacar. É uma pessoa melhor." Engraçado que ela não vai pra escola e não reprova, recebe todo mês mesmo sem ir trabalhar durante a metade de cada um deles, ganha todos os presentes que pede.

Meu pai tá me devendo o presente do meu aniversário de 16 anos.
Todas as festas de aniversário que eu quis fazer, passei meses planejando, foram impedidas porque não tinha dinheiro.
Eles tiram dinheiro da bunda pra dar as coisas pra ela.
E isso não é uma coisa de hoje, tá? Eu com 21 anos sinceramente não poderia me importar menos com a facilidade que meus pais tem em jogar dinheiro na fogueira Erica. O que me deixa mal de verdade é olhar pra trás e ver que a situação não mudou nem um pouco desde que eu era "criança" e nem por isso eu recebia um tratamento próximo do que ela recebe até hoje.
Eu precisei de verdade ameaçar meus pais pra poder viajar. Ela ligou avisando que ia, pediu dinheiro e foi.
Eu comprei minha passagem, com o meu dinheiro. Paguei todas as minhas despesas de viagem. E eles só me levaram até o aeroporto porque eu tinha dito que iria de taxi se fosse necessário.
Eles deram dinheiro pra ela viajar de carro com mais sete pessoas, no mesmo carro, passar um final de semana em festa, na semana seguinte em que ela recebeu o pagamento e gastou tudo em uma noite, enquanto ligava reclamando de dor na garganta.
Ela estourou o limite do cartão da minha mãe, disse que não foi ela, e minha mãe fez o quê? Nada.

Eu tô cansada de verdade da diferenciação de tratamento.
Minha mãe reclama quando eu digo "a facilidade que você tem em dizer sim pra ela é a mesma que você tem pra me dizer não". Ela acha ruim.
Eles decidiram que a tia do meu pai moraria aqui. Decidiram que era o momento de dividir os quartos. Decidiram que a linda teria o quarto maravilhoso enquanto eu continuaria dividindo quarto com outra pessoa.
...o resto desse monólogo tá no twitter.


Simplesmente já não consigo mais conviver com essas pessoas.
Juro que se não fossem meus parentes, jamais viveria com eles. Jamais daria confiança pra eles. Não fariam parte do meu círculo de amizades. Sequer conversaria com eles.
Me revolta de verdade a forma deles de ver o mundo. As atitudes deles para com as pessoas com quem convivem. O tratamento que dão para as pessoas que dizem amar.



Eu sinto como se tivesse jogado minhas férias fora.
Me explica pra que eu viajei com meu pai e minha mãe pra escutar os dois preocupados com a minha irmã ou brigando entre si ou falando mal de mim? Pra que eu perdi duas semanas de isolamento indo pra um lugar que eu nem gosto? Pra passar alguns momentos no único lugar que eu tinha vontade de ir em todo o roteiro da viagem e ainda ter minha felicidade cortada pelas babaquices de pessoas egoístas? O que eu ganhei com isso? A consciência limpa de não tem feito meus pais pagarem minha hospedagem pra eu ficar em casa? Grande prêmio. Uma sala quente, sem privacidade, sem porta, com mosquitos, pra dormir e dividir com minha tia-avó idosa? Me deixa muito feliz. Um gaveteiro velho e cheio de ferramentas que ficaram por tanto tempo ali que passaram seu cheiro de graxa e óleo de motor pro móvel para guardar minhas roupas? Que alegria.
Acho que se eu tivesse ficado em casa, chorando por não ter feito o que eu queria e poderia ter feito não fosse meu pai mentir pra mim e eu acreditar, de novo. Do que ter passado por essas duas semanas do modo como foram.
Vou dizer que no momento em que eu me vi no meio da estrada, um pouco antes do meio dia do primeiro dia da viagem, meu pensamento foi: eu quero voltar pra casa. Não quero ir.

Tô bem desesperada porque minhas férias terminam daqui três dias e eu não fiz nada que queria. NADA.
Só arrependimento. Só desilusão. Só raiva. Só desapontamento.

sábado, 9 de janeiro de 2016

Eu preciso de ajuda.
São mais de três da madrugada (quatro, pra maior parte dos meus amigos) e eu não sei o que fazer.
Sabe aquele negócio de eu ser forte e resistente e conseguir lidar bem com os problemas...? Nunca foi verdade.
Eu simplesmente sempre ignorei tudo de ruim que acontecia e... passei por cima. Eu nunca enfrentei meus problemas de frente. Eu nunca fui forte pra lidar com eles.

No último dia do ano eu praticamente joguei fora uma pessoa que me amava de graça porque eu tenho medo. Hoje eu vi como isso repercutiu na vida dele e eu não me sinto no direito de sofrer por isso, porque é minha culpa. Minha culpa. Minha culpa. Minha culpa. Minha culpa. Minha culpa. Minha culpa.
Mas nada vai mudar se eu assumir isso. Nada vai mudar porque eu sou fraca. Porque eu não consigo. Porque eu simplesmente... desisto.
Eu sou vazia.

--- Ele me fez acreditar que eu tinha medo de tudo. Que eu não fazia as coisas por medo. Isso é ruim? O meu medo me salvou de várias coisas. Muitas vezes! Eu preciso do meu medo. Eu gosto do meu medo. E não foi ele que me fez desistir de você. Eu não queria me sentir mal por rejeitar alguém, principalmente alguém que me queria tão bem. Mas eu não me sinto mal sobre isso. Não mais. A culpa não é só minha. Não aconteceu tudo isso simplesmente porque eu sou covarde. Agradeço minha covardia. Não vou deixar ninguém usar ela contra mim de novo. Nunca mais. ---

Eu não tenho nada com que eu me importe de verdade. Eu não tenho ninguém que eu ame suficiente pra viver por. Eu não tenho nada. Eu sou vazia.
A única coisa que um dia me fez sentir... empolgação foi querer ser escritora e eu também não vejo um futuro pra isso.
Eu não vejo minha vida seguindo em frente. Eu não vejo as coisas dando certo. Eu não vejo meu futuro. Eu não me vejo terminando a faculdade. Não me vejo escrevendo TCC, embora eu diga pra todos sobre o que ele é. Eu não me vejo nada. Eu não vejo meu futuro.
Eu sou vazia.

E ninguém me conhece.
Mesmo eu vivendo cada dia da minha vida tentando fazer com que cada pessoa, tanto as que gostam de mim quanto as que pouco se importam com a minha existência, me conheça.
E ninguém me entende.
Mesmo que eu tenha vivido durante vinte e um anos com essas mesmas pessoas, cada dia da minha vida, eles não entendem porque eu simplesmente desisto das coisas.
Salvo algumas pessoas que, milagrosamente, entendem e conhecem algumas coisas sobre mim mesma que nem eu domino.
Pessoas essas que eu não tenho coragem de acordar pra me escutarem chorar porque... quem sou eu? O que eu valho? Se eu sou vazia. Se eu não consigo me fazer feliz. Se eu não consigo me dedicar a nada. Se...

Eu deveria querer alguma coisa.
Eu deveria querer ser alguém.
Eu não deveria ser vazia.
Eu não deveria simplesmente aceitar isso.
Eu não deveria desistir de mim mesma.

Mas eu já desisti.






Eu não desisti porque deu tudo errado.
Eu não desisti porque ninguém gosta de mim.
Eu não desisti porque é difícil demais.
Eu desisti porque eu não valho o esforço.
Eu não acho que valho. Eu não acho que valha pra alguém. Eu não posso oferecer nada a ninguém. Porque eu sou nada.
"Você é o acúmulo das suas experiências."
Vou fazer psicologia e virar conselheira infantil.

Uma vez.
Uns amigos da família estavam brigando. Por motivos de falta de conversa. Porque nenhum dos dois parava pra entender completamente o lado do outro.
Eu vi aquilo.
E eu expliquei pra eles.
Meu pai ficou adimirado com a minha capacidade de entender um sofrimento de duas pessoas completamente alheias a mim e que, até certo ponto, vivem suas vidas separadamente e longe de mim. Ele ficou surpreso com minha capacidade de entender o sentimento deles.
O sentimento.
Depois ele ficou orgulhoso com minha capacidade de observação.
"De onde você tira esse entendimento?"
De tudo que eu já sofri. Dos canalhas que eu enfrentei. Das suas brigas. Da minha vida.

Minha vida. Que eu sempre tive todo o trabalho de esconder. Porque eu fui ensinada a não ser fraca.
Mas eu nunca fui forte.
Mas eu nunca falei que era fraca.
Eu engoli o nó da garganta. Respirei fundo. Chorei no banho. Sofri de cara no travesseiro. Sempre pensei sozinha. Nunca compartilhei com ninguém. Me fechei. Não senti mais nada. Morri.
Eu morri.
Eu cheguei a não sentir mais nada.
Eu reprimi todos os meus sentimentos e lembranças.
Todos.
Os ruins. Os tristes.
Os bons. Os felizes.
Minha sala de controle ficou vazia. Minhas ilhas apagaram e desmoronaram.

Eu nunca fui forte.
Eu sempre fiquei calada.
Eu sou vazia.
Eu desisto.






Hoje a minha mãe ficou bêbada. De novo.
As pessoas que disseram "conte comigo sempre" da outra vez que ela quase bateu o carro três vezes comigo e minha irmã dentro depois de passar a tarde bebendo. Revoltada. Disseram daquela vez "todo mundo bebe".
Eu perdi a confiança na pessoa naquele momento? Sim.
Hoje a minha mãe fez meu pai ficar daquele jeito.
Ela vive com ele há mais tempo que eu. Ela conhece ele. Ela sabe.
Ela irritou ele. Ele perdeu completamente a paciência.
Eles bateram na Erica.
Não foi uma chinelada ou uma sintada. Um esporro, uns tapas.
Eles jogaram coisas nela. Emprensaram ela na parede. Enforcaram ela.
Ela saiu daqui arranhada e cortada. Toda vermelha.
Não importa quem está certo.
Não importa.

Eu não quero.
Não quero viver assim.
Não quero ver isso.
Não quero. Não quero. Não quero. Não quero. Não quero. Não quero. Não quero. Não quero. Não quero. Não quero. Não quero. Não quero. Não quero.

Eu não quero ver meu pai mandando minha irmã mais nova embora de casa.
Não quero ouvir minha irmã dizer que nunca mais vai olhar na cara deles.
Não quero ver ela chorar daquele jeito. Toda machucada. Como se fosse cachorro.
Não quero ver meus pais fazendo as mesmas coisas que meus tios fizeram com meus primos.
Hoje, uma sobrevive com a avô que só não odeia abertamente ela, outro está fora da escola há anos e é usuário de drogas e a mais nova só Deus sabe o que faz. Eles foram todos abandonados. Jogados pra fora de casa. E hoje eu vi meu pai fazer a mesma coisa com a minha irmã.

No final, não importa tudo que ela já fez pra mim.
É uma criança. Que não tem nada. Não tem pra onde ir. De dezessete anos.







Hoje eu chorei por quem eu sou.
Eu chorei pela minha irmã.
Eu chorei pela desilusão da minha mãe.
Eu chorei por desgosto do meu pai.
Eu chorei.

Eu tenho chorado muito. Eu chorei com a Adriana. Eu chorei com o Hugo. Eu chorei hoje como eu nunca chorei na minha vida.
Eu não gosto de ser quem eu sou.
Eu preciso de ajuda.
Eu não quero viver assim.
Eu não quero ser assim.
Eu não quero isso.

quinta-feira, 17 de setembro de 2015

K

Hoje não é exatamente um dia especial, porque eu não acredito que o aniversário seja um dia tão especial ou tão importante ao ponto de pedir uma homenagem ou algo diferente do dia-a-dia. É claro que eu sou totalmente a favor de dar e receber presentes de aniversário porque... quem é que não gosta de ganhar presente? Mas não acho que o aniversário deve ser um dia para tratar a pessoa de uma forma especial. Eu acho que as pessoas que amamos devem ser tratadas de forma especial todos os dias! Mas eu não consigo expressar a força e o tamanho dos meus sentimentos todos os dias. Porque não é todo dia que a gente tem tempo de se encontrar e jogar conversa fora, não é todo dia que estou tão bem comigo mesma que posso me dedicar a fazer você ficar bem consigo mesma. Não é todo dia que eu tenho a oportunidade de dizer que eu te amo. E é por isso que eu esperei esse dia, que eu dediquei esse momento para dizer a você tudo que eu gostaria de poder dizer todos os dias.

Alguns anos atrás, quando eu te conheci (e aquelas outras pessoas que você sabe também, né) e eu era aquela garotinha ingênua, inocente e super tímida de dezesseis anos e você era aquela moça que, aos meus olhos, era super confiante, madura e independente... e isso era uma coisa que eu nunca tive a intenção de te contar, mas acho que é válido: Eu endeusava você. Você era um exemplo que eu queria seguir, um objetivo que eu tentava alcançar e uma pessoa que eu considerava tão superior a mim que jamais me deixaria pensar que você poderia ser tão humana quanto eu, ter problemas como os meus e piores até. Você era a minha deusa. Sim, porque nenhuma outra palavra representa tão bem o que eu pensava de você há algum tempo atrás.
Sim, desde que eu te conheci e até algum tempo atrás eu ainda pensava assim. E aí eu comecei a ME confiar a você. A deixar que você me conhecesse, a me deixar ser mais próxima de você, a deixar você descer do pedestal que eu te fiz subir (sem nem você saber).

O que mudou tudo?
Aquele dia da primeira postagem desse blog mudou tudo.
Um mangá que me fez relembra todos os meus dramas, todas as minhas insatisfações, todos os meus medos, todos os meus arrependimentos e tal.
A pessoa que me chamou para desabafar.
Aquela chamada às sete da manhã com duas pessoas que acordam cedo pra trabalhar e uma pessoa inútil que apenas virou a noite lendo porque... sim.
Foi isso que mudou tudo. Foi você que mudou tudo. Obrigada.

Daquele dia em diante eu me deixei ver você como humana. Como uma menina frágil que nem eu. Mais machucada que eu... o que, na verdade, é bem justo se formos ver que você é seis anos mais velha que eu, né.
Desde aquele dia eu fui conhecendo você melhor. Desde aquele dia eu fui te deixando me conhecer melhor. Desde aquele dia eu fui gostando cada vez mais de você. Mais do que eu já gostava quando nem te conhecia de verdade.
E eu te amo tanto hoje que você é meu dia-a-dia.

Há uns quatro anos atrás eu falava sobre os meninos com a minha mãe. Algum tempo depois eu falava sobre outros meninos com a minha mãe. Por fim, de dois anos para cá eu só falava sobre os irmões para a minha mãe. Hoje eu falo sobre você. Não, eu não falo sobre as Sereias. Eu falo sobre você. Seja para quem for.
E embora isso esteja parecendo uma declaração de amor romântico, o que não é, porque eu sei que não tenho chances contra nove anos e dois nomes de filhos, na verdade é só uma declaração de esperança. Esperança de que você continue querendo que eu faça parte da sua vida como você disse naquela resposta à primeira postagem do blog no começo desse ano.
Aquelas palavras que você me escreveu naquele meu momento de fraqueza me fizeram acreditar que eu não estava tão sozinha. Que eu poderia me ligar a alguém, mesmo que esse alguém fosse uma pessoa lá do outro lado do país, e esse alguém seria um que compartilhava as mesmas crenças que eu.

Acho que eu já me perdi no que eu queria dizer pra você, então, uma última coisa: eu queria ter escrito tanto naquela carta a mão que você recebeu. Queria ter escrito tantas coisas, ter explicado todos os motivos que me fizeram escrever aquela carta e depois essa carta. E, não sei, acho que eu vou passar o resto dos meus dias falando vez após vez pra você que eu te amo e desejo tudo do melhor do mundo pra você. Te agradecer dia após dia por você ter me deixado ter você de verdade na minha vida, por ouvir minhas lamúrias e tentar me consolar mesmo que você diga que não sabe fazer isso.
Eu sou eternamente grata por você existir.
Feliz aniversário.

domingo, 30 de agosto de 2015

G

Estou indo dormir agora mais do que cansada. Hoje/ontem foi um dia exaustivo. Vamos lá!

No dia 29 eu preparei um jantar de comemoração do meu aniversário para algumas pessoas na minha casa. Entre família e amigos tinham algumas pessoas muito importantes. Claro que faltaram outros, mas acho que foi muito bom mesmo assim.
Esse dia foi destrutivo. Entre limpar casa, ajudar a fazer o almoço e o jantar, fazer o bolo e conseguir ficar pronta até o pessoal chegar foi corrido, dolorido e desgastante. 
No horário marcado eu estava pronta e deu tudo certo... menos o bolo que ficou muito fofo e quebrou todo... Ele não ficou bonito, de verdade, mas ficou muito gostoso.

Ao final da festinha eu e mais sete pessoas fomos jogar "War: Batalhas Mitológicas". Nós saímos da minha casa para a casa de uma prima à uma da madrugada; jogamos duas partidas, ambas em dupla, e eu e minha parceria ganhamos a primeira delas enquanto a anfitriã - que eu nunca havia visto ganhar partida alguma de War desde sempre - ganhou a segunda partida com o parceiro.
A jogatina acabou depois dás cinco da madruga e eu só consegui chegar em casa às seis da manhã! Foi a primeira vez nos meus 21 anos de vida que eu ganhei uma partida de War e que cheguei em casa de manhã!

Depois que eu acordei, minha mãe me chamou pra ir no shopping. Fomos lá e, um amigo meu havia me dito alguns dias atrás que tinha aberto uma livraria lá, então fui conferir. E é linda! É tão grande (pro nível de Palmas) e tem tantas coisas (entre livraria e papelaria). Amei de verdade a livraria. 
Depois do almoço nós fomos à praia e ao parque visitar. O parque foi reformado e ficou muito agradável. Eu me surpreendi. Gostei muito de ter ido lá apesar do cansaço e do sono. Ainda, depois disso passamos na sorveteira e eu, literalmente enchia cara de sorvete! Foi mágico! 

Por fim, um convite inesperado para ir ao cinema fechou o dia. Fomos assistir Missão Impossível e confesso que, como os filmes de ação não são os meus preferidos, algumas cenas contribuíram com o meu sono que, não tá de brincadeira.

E foi isso.
Esse foi o meu aniversário desse ano. E eu gostei muito.
Ganhei presentes lindos que vou usar muito. Agradeço a todos que fizeram esse dia ser tão bom!
Boa noite.

P.S.: Eu escrevi isso depois da meia noite do dia 30, mas saiu esse horário que vocês estão vendo aí. E mais uma coisa: escrever no celular dá a impressão de que tô escrevendo maior textão, mas nem é.